A Prefeitura de Sinop, por meio do Centro de Combate às Endemias, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, alerta a população sobre os cuidados necessários para conter a proliferação do caramujo africano, uma espécie invasora que encontra no período chuvoso condições ideais para se reproduzir.
Com o aumento da umidade e o crescimento acelerado da vegetação, formam-se ambientes favoráveis para abrigo e alimentação desses moluscos, ampliando as chances de sua presença em quintais, jardins e terrenos baldios.
Além dos impactos ambientais, o caramujo africano pode representar riscos à saúde pública quando está infectado por parasitas. A espécie pode ser identificada pela concha mais escura, com bordas afiadas e ponta alongada. Já o caramujo nativo possui concha mais clara e formato arredondado. Saber diferenciar as espécies é fundamental para que as medidas de controle sejam adotadas corretamente.
O médico veterinário do Centro de Combate às Endemias, Joacyr Oliveira, explica que o período chuvoso influencia diretamente na multiplicação do animal. Segundo ele, a abundância de vegetação durante as chuvas garante alimento e abrigo, favorecendo a reprodução acelerada. O especialista também alerta que os caramujos podem transmitir doenças como meningite eosinofílica e angiostrongilíase abdominal.
A transmissão ocorre por meio de parasitas presentes no muco do animal. A contaminação pode acontecer tanto pelo consumo de alimentos que tiveram contato com esse muco quanto pelo manuseio direto do molusco sem proteção adequada. Por isso, evitar o contato direto é uma medida essencial de prevenção.
A limpeza regular de quintais e terrenos baldios é uma das principais estratégias de controle. A remoção de entulhos, restos de construção, folhas e materiais que possam servir de abrigo reduz significativamente as condições favoráveis à reprodução. Manter a vegetação aparada e o ambiente organizado dificulta a permanência da espécie.
Entre as formas de controle, a catação manual é considerada a alternativa mais segura, econômica e ambientalmente adequada. O procedimento deve ser realizado, preferencialmente, no período noturno, quando o animal está mais ativo. É indispensável utilizar luvas ou sacolas plásticas para evitar qualquer contato direto.
Após a coleta, o descarte correto é fundamental. A orientação é abrir um buraco no solo, aplicar uma camada de cal virgem no fundo, depositar os caramujos, cobrir com mais cal e, em seguida, com terra. Esse procedimento deve ser feito diariamente. Não é recomendado o uso de sal nem de iscas químicas, que podem conter metais pesados e causar danos ambientais.
Outro ponto de atenção é o descarte inadequado das conchas. Quando caramujos mortos permanecem dentro delas, a estrutura pode acumular água da chuva e se transformar em criadouro de mosquitos transmissores de doenças como dengue e chikungunya, ampliando ainda mais os riscos à saúde pública.
A Prefeitura reforça que a manutenção e limpeza de terrenos são responsabilidades dos proprietários. A conservação adequada desses espaços é determinante para evitar a multiplicação da espécie e proteger toda a comunidade.
A colaboração da população é indispensável para o controle do caramujo africano. Medidas simples, como manter o quintal limpo, eliminar entulhos e realizar o manejo correto dos animais coletados, fazem a diferença na prevenção de doenças e na preservação da saúde coletiva em todo o município.



