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Câmera flagra duas harpias em momento de interação em área de mata de Sinop

Um registro considerado raro chamou a atenção de observadores da fauna em Sinop. Duas harpias foram flagradas por uma câmera instalada em uma área de mata do município enquanto interagiam próximas a uma poça de água.

As imagens foram divulgadas pelo observador de aves e fotógrafo Luigi Seronni, que utiliza câmeras do tipo trap para monitorar a fauna em diferentes regiões de mata de Sinop. No vídeo, que dura mais de um minuto, as duas aves aparecem caminhando próximas uma da outra, abrindo as asas e emitindo sons.

Inicialmente, o comportamento chegou a ser interpretado como uma possível interação entre macho e fêmea durante o período de reprodução. No entanto, o biólogo e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Romildo Gonçalves, explicou que não é possível determinar o sexo das aves apenas pelas imagens, sendo necessário um exame físico.

Segundo o especialista, a proximidade e a interação registradas são compatíveis com o comportamento de animais jovens.

“Eles estão brincando, vivendo uma fase deles. Demonstra que são animais jovens, é um procedimento normal da espécie. Aí é um momento de lazer entre eles, interação.”

Registro chama atenção

Luigi Seronni é oftalmologista e integra um grupo dedicado à observação de aves e outros animais da fauna brasileira. As câmeras instaladas por ele em áreas de mata de Sinop já registraram espécies como onças-pintadas, tamanduás, antas e falcões.

O flagrante das harpias, porém, teve um detalhe especial: foi a primeira vez que ele conseguiu registrar as aves no solo, em vez de encontrá-las nos galhos das árvores, onde costumam ser observadas.

A presença da espécie na natureza é considerada um registro importante devido à dificuldade de avistamento. Apesar disso, conforme explica Romildo Gonçalves, a interação entre as duas aves não representa necessariamente um comportamento incomum, especialmente por se tratarem, aparentemente, de indivíduos jovens.

Harpia é uma das maiores aves de rapina das Américas

Conhecida também como gavião-real, a harpia está entre as maiores aves de rapina das Américas. A espécie pode atingir cerca de 1,05 metro de comprimento, com envergadura de até 2,1 metros, enquanto suas garras podem chegar a aproximadamente 10 centímetros.

As fêmeas são maiores que os machos, característica comum entre grandes aves de rapina. A espécie também se destaca pela cabeça cinza, pelo topete formado por duas pontas escuras, peito escuro e barriga branca.

Predadora das florestas, a harpia se alimenta de animais como macacos, preguiças e quatis. No Brasil, pode ser encontrada principalmente em áreas da Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal.

Apesar de sua ampla distribuição, a espécie enfrenta ameaças relacionadas à perda e fragmentação de seu habitat, redução de áreas adequadas para alimentação e reprodução e caça ilegal. O ICMBio classifica a harpia como vulnerável.

A reprodução relativamente lenta também aumenta a preocupação com a conservação da espécie, já que a destruição das florestas pode provocar o isolamento das populações e dificultar a manutenção desses animais em seus ambientes naturais.

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