Um embate sobre incentivos fiscais entre Otaviano Pivetta e Maurício Coelho acabou levando ao centro do debate da TV Vila Real o passado de um assessor do candidato governista. Durante a discussão, Pivetta afirmou que suas empresas são “saudáveis”, ao contrário das empresas ligadas a Maurício, numa referência à relação profissional que o adversário manteve com a antiga gestão da Unimed Cuiabá, investigada por irregularidades e por um rombo milionário.
A empresa de comunicação de Maurício prestou serviços à cooperativa durante aquela administração. Maurício rebateu a tentativa de associação, argumentando que sua empresa era apenas prestadora de serviços e lembrando que seu candidato a vice, o médico Wagner Malheiros, é cooperado da Unimed e contrário à gestão anterior.
Na sequência, Maurício virou o ataque contra Pivetta e citou Paulo Brustolin, assessor ligado ao candidato. “Sabe que quem realmente causou mal para a Unimed é o assessor do Pivetta, é Paulo Brustolin, que ele esconde. Esconde porque já foi delatado na época do Pedro Taques”, disparou.
A referência à delação tem respaldo documental. Brustolin, ex-secretário de Fazenda no governo Pedro Taques, foi citado na colaboração premiada do empresário Alan Malouf, homologada pelo STF. As acusações feitas pelo delator envolvem o período em que Brustolin assumiu a Sefaz e são contestadas por ele. A delação, porém, não comprova a afirmação de Maurício de que Brustolin tenha causado prejuízos à Unimed.
O confronto acabou criando um efeito contrário para Pivetta: ao questionar a saúde das empresas de Maurício e trazer a Unimed para o embate, abriu espaço para que o adversário colocasse sob os holofotes um assessor de sua própria equipe e recuperasse uma delação que atingiu o governo Pedro Taques.


